O Verdadeiro MAMI

Monday, May 29, 2006

Discriminação (segundo os brancos)

Achei não tão especial a análise do Luis Cardoso na questão das quotas. Mas também fiquei com um sono repentino mortífero na altura que ele chegou a falar da sua visão personal das quotas. (Demorou uma hora chegar lá!).

E não percebi realmente se o sistema de quotas vai cruzar raça e classe social como o MVA implicou o semestre passado. Cardoso nem mencionou esta ideia.

Apesar da desilusão sobre quotas, acho que os conceitos de "consideração" e "insultos morais" são úteis para o caso Português. Para os que perderam a palestra, vale a pena ler o texto curto dele. Filipe, Elisabete, Mafalda, reacções?

3 Comments:

Blogger joana lucas said...

bolas!esqueci-me completamente dessa palestra!estive no ICS de manhã a assistir a uma defesa de uma tese e depois fui para a biblioteca ler um texto...mesmo ali ao lado e passou-se-me!enfim...terei de dar melhor uso à minha agenda...mas o Paul Stoler não deixarei passar!

1:06 PM  
Blogger JG said...

Atenção todos, a hora do Stoller é capaz de mudar. Já mudei no nosso agenda, porque a Clara achou o horário culpável pela falta de participação. Indicou que queria mudar a próxima para as 18h.

Desta vez, realmente pouca gente. E os "usual suspects". Joana não te preocupes, como disse Elisabete, até as anecdotas "pessoais" (e que pareciam "espontâneas") de ontem aparecem no trabalho escrito. Tudo igual.

4:44 PM  
Blogger JG said...

Mafalda, Achei a dichotomia entre racismo nos Estados Unidos e Brasil um boucado falsa. Mas a questão é provocadora, e bastante interessante. (Por isso, Cardoso vai ter muito mais oportunidades de falar sobre o assunto!)

No sentido do "cotidiano" acho certo a análise do Cardoso. Como confessei o semestre passado, vivi a "trama" de tensão racial muito agravada na minha cidade. E quando fui ao Brasil, pela primeira vez na minha vida não me senti culpada sempre para os crimes dos meus antepassados. Andei livremente sem aquele peso nos ombros em ambientes não-brancos.

Mas no outro lado, não seria "impossível" o scenário da pessoa assumidamente racista a casar com uma pessoa de cor. Isto até acontecia e acontece ainda nos Estados Unidos, especialmente no Sul. E as explicações são iguais, as pessoas fazem "excepções" por seus sentimentos mais íntimos e pessoais.

Também acerca da questão de discriminação "cívica" como ele chamou o fenómeno, nos Estados Unidos, os negros são muito menos prováveis do que os brancos a reclamar os seus direitos "constitucionais" quando são mandados parar pela polícia. Portanto, o comportamento da "minoria" nos EU é bastante semelhante a aquele exemplo das pessoas na favela de São Paulo em 1997. Tudo bem que o negro americano tem mais direitos "em papel", e frequentamente defendidos no tribunal, mas no dia-a-dia, quem tem o mínimo instinto de auto-preservação entre a comunidade "latina" e negra sabe calar-se a frente da polícia.

Mas a dichotomia entre "respeito" e "consideração" achei interessante, e bastante útil. Eu cresci num ambiente aonde "respeito" para o outro era sinonimo com sobrevivência no meio urbano. Uma falta de respeito podia ser bastante perigosa. No Brasil, a questão não é a mesma. Não é o grupo que fica insultado, mais o indivíduo, e assim as ofesas podiam ser melhor caracterizadas por "desconsideração".

3:46 PM  

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